Há algum tempo atrás tive que ouvir alguém falando que a homossexualidade dos filhos é culpa dos pais. Meninos que não são repreendidos devidamente ou têm o pai ausente e convivem com a mãe tendem a ser gays, foi isso o que eu tive que ouvir. Óbvio que isso não tem fundamento nenhum e é um preconceito sem tamanho. Mas sabe o que pode ser considerado "culpa" dos pais? O preconceito, a intolerância, a ignorância. Não exatamente culpa dos pais, mas vem da criação e da educação.
Um grande problema entre pais e filhos é que os pais que já tracem todo o futuro do seu filho antes mesmo de ele ter sua personalidade formada. Criar grandes expectativas nunca é uma boa idéia, porque a decepção é muito grande quando elas não são atingidas. Principalmente criar expectativas a respeito coisas sobre as quais você não tem controle nenhum.
Falando sobre criação de filhos e relação entre pais e filhos, é impossível para mim não trazer à tona a minha experiência. Não só porque é o único contato com a situação que eu tive até hoje, mas porque eu - modéstia às favas - acredito que a minha mãe fez um ótimo trabalho neste aspecto. Eu fui criada acreditando que eu poderia ser o que eu quisesse e que tinha capacidade para isso. Cresci tendo os meus maiores potenciais explorados. Nunca gostei de desenhar, então nunca desenhei muito, mas sempre brinquei muito de colorir. Sempre detestei números e eles nunca tiveram um espaço maior do que o necessário na minha vida. Por outro lado, sempre amei as letras e, com quatro anos, minha mãe me ensinou a ler. Desde então ganhava pelo menos um gibi por semana - o qual eu devorava na hora seguinte - e os livros sempre eram presentes muito valorizados, aproveitados e bem cuidados. Minha mãe nunca exigiu que eu fizesse algo para satisfazer a sua própria vontade. Sempre me incentivou a ser eu mesma e fazer o que fosse preciso trazer a minha própria satisfação. E sempre foi muito confortável para mim, saber que tudo o que eu deveria fazer para dar alegria à minha mãe era buscar a minha própria realização e felicidade. Posso estar sendo parcial, mas eu não gostaria de ter sido criada de qualquer outra forma.
"Culpar" os pais pela homossexualidade do filho é admitir que eles são capazes de moldar algo tão pessoal na vida de alguém. E, me desculpe, mas eu me considero livre o suficiente para fazer as minhas próprias decisões e ser quem eu sou sem medo de decepcionar ninguém. Assim como não é possível que os pais FAÇAM alguém ser gay, eles também não têm o poder de transformar alguém em heterossexual, o máximo que podem fazer é criar alguém reprimido e recalcado. Se eu fosse mãe e meu filho fosse gay, eu teria um orgulho enorme em saber que ele teve coragem de ser quem ele é, independente de tabus e preconceitos. Eu saberia que fiz um bom trabalho ao ver que meu filho está disposto a enfrentar uma situação como essa para ser feliz. Mas se eu tivesse um filho intolerante, preconceituoso, que não tivesse respeito, não soubesse conviver com as diferenças, não valorizasse a liberdade e tentasse se moldar a um padrão para ser feliz, ao invés de viver com autenticidade, aí sim, eu ficaria muito decepcionada.
Detesto motoristas que acham que têm preferência sobre os pedestres em QUALQUER lugar simplesmente porque um carro pode te atropelar e você não pode fazer praticamente nada contra um carro. Claro, pode estragar o carro ao ser atropelado, mas o ponto é que você não pode fazer nada contra o carro sem sair ileso. É mais ou menos aquela coisa: eu como a vaca porque eu posso e ponto final, se a vaca pudesse ela me comia também e blá blá blá, mas esse é outro assunto. Chegando, finalmente, onde eu queria: vão tomar no cu os motoristas que simplesmente entram na calçada sem olhar e acham que os pedestres têm obrigação de ficar olhando pros dois lados enquanto estão andando na via que é deles. É simples, a rua é para tráfego dos carros, quando o pedestre vai atravessar, olha pros dois lados; a calçada é para tráfego dos pedestres, quando o carro vai atravessar, TEM QUE olhar pros dois lados antes, PORRA! Aí você tá andando DE BOA na calçada, quase é atropelada e o motorista PAU NO CU ainda te olha com cara feia? O senhor vai se foder, hein.
Sempre quis ver neve, desde criança. Sempre tive certeza de que não ia me decepcionar e não me decepcionei. Quando decidi passar o meu verão de 2008/2009 no inverno norte-americano, só tinha uma exigência: tem que ter neve, muita neve. Afinal, eu merecia. Primeiro, quis ir pra New Haven, Connecticut. A cidade das Lorelai Gilmore, alguém que entende a minha paixão por esses floquinhos maravilhosos.
E fui. Cheguei lá e na minha primeira manhã acordando em outro país, abro a janela do meu quarto de hotel e me deparo com isso.
07/12/2008
Saí correndo, congelei a mão, escrevi que amava minha mãe na neve e fiquei igual uma boba pisando sem acreditar que era tão fofinho.
No fim das contas não fiquei em Connecticut e fui parar em Vermont, numa montanha de ski.
Killington
Acordar com cheiro de neve, olhar na janela e ver nada além de pinheiros cobertos de gelo. Olhar pro lado de fora de casa e parecer que está tudo em preto e branco. Pisar na neve fofa que acabou de cair. Ver os amontoadinhos de neve que se formam tão perfeitos em cima de tudo. Olhar pra cima, numa noite de neve e ver o céu escuro coberto de floquinhos brancos caindo de forma tão linda. Tirar o casaco e perceber que ele está coberto de gelo. Se jogar e afundar num monte de neve fofa. Esperar o ônibus sentada num banco de neve. Sentir os floquinhos caindo no rosto. Ficar com os cílios brancos, cobertos de neve. Guerra de neve. Cair e não se machucar (seja pela quantidade de roupas, ou pela quantidade de neve no chão). Fazer um snow angel.
Isso, mais do que todos os dólares que ganhei, todas as coisas que comprei e os poucos lugares que conheci, fez valer os 3 meses longe de casa. Descobrir o inverno coberto por uma camada branca e macia, a coisa mais linda que já presenciei, mudou a minha vida.
Todo os dias eu lamento não saber qual vai ser a próxima vez que vou poder presenciar flocos de neve caindo do céu. Absolutamente todos os dias eu sinto falta daquele clima branco, gélido e maravilhoso.
"A individualidade acaba quando uma pessoa deixa de viver como uma célula sozinha e entende que está dentro de um conjunto de células, a sociedade. Quando uma célula vive em pluralidade, ela cresce e avisa para as células ao redor: 'vou crescer!' e todo mundo cresce junto. Quando uma célula vive individualmente e não avisa ninguém o que ela vai fazer, ela cresce sozinha e vira um câncer. E esses são os cânceres da sociedade: pessoas que não sabem viver em sociedade." (MOSSANEK, Ernani)
Um câncer da sociedade são pessoas que entram no ônibus antes de as outras pessoas saírem. Primeiro, elas são mal educadas e ignoram que precisam aprender a viver em sociedade respeitando as pessoas que têm a vez na hora de sair. Segundo, elas são burras porque não entendem que, esperando as pessoas saírem, vão ter mais espaço para entrarem.
Outro exemplo são os motoristas que não usam a porra da seta quando vão dobrar uma esquina ou entrar na frente de outro carro. Pessoas que acham que são as únicas andando na rua e ignoram que outras precisem saber o que elas vão fazer para que não batam nelas.
Cânceres da sociedade também são pessoas que não respeitam a opinião dos outros. No meu caso, me sinto afligida pelas pessoas que não aceitam o vegetarianismo. Seguinte: sou vegetariana, não como nada de origem animal, ponto final. Faço isso porque acho errado o consumo de tais coisas e tenho os meus motivos. Mas meus motivos não me levam a criticar algum onívoro ou tentar convencê-lo de que está errado, meus motivos apenas me levam a mudar a minha própria atitude. Por isso, me sinto muito incomodada quando alguém me critica, ou tira sarro, simplesmente por não respeitar uma escolha minha que em nada lhe atinge. Me sinto vítima de preconceito quando leio pixado no muro "COMA ALFACE?" em resposta a outra pixação que diz "CARNE É CRIME!". Pensar que vegetariano só come alface é tão ignorante e preconceituoso quanto achar que todo homem homossesxual é afeminado e vice-versa.
Ser um câncer na sociedade é não respeitar as diferenças e achar que quem não pensa como você, está errado. É furar fila, é pensar no seu conforto em detrimento ao de todas as pessoas ao seu redor. É ligar o som do carro num volume absurdo e obrigar todos ouvirem à sua música. Morar num prédio com 27 apartamentos e deixar o portão que leva à rua aberto no meio da madrugada. ISSO é ser um câncer na sociedade.
Em vinte anos, três meses e um dia de vida eu pensava ser completa. Um ano e duas semanas e três dias depois, eu não sei mais como eu conseguia me sentir assim.
Hoje eu acordo cedo, abro a cortina do meu quarto e deixo o sol entrar. Eu reciclo. Refogo a cebola antes de refogar o alho. Olho as árvores e as flores. Sei qual flor é a flor de maracujá e quais são as principais caracterísitcas de uma orquídea. Sei qual é a caliandra, qual é a cássia. Eu faço minhas refeições na mesa. Ouço Modest Mouse. Corto cogumelos em fatias verticais. Deixei as minhas unhas crescerem de novo. Tranço meu cabelo. Tomo menos remédios. Sorrio mais. Vejo os fuscas. Sei quais fuscas são os mais bonitos. Tenho três calêndulas e um pé de cebolinha. Ando de mãos dadas. Assisto Family Guy e The Big Bang Theory. Abro minha janela para ver o pôr-do-sol. Não implico mais com quem corta o macarrão.
Eu tenho pra quem fazer manha. Tenho alguém pra mandar beijo na porta do elevador. Alguém pra dar bom dia toda manhã no MSN. Pra ir me buscar na faculdade e me levar uma Coca. Pra cozinhar comida gostosa junto comigo. Alguém que nunca esquece do dia vinte e sete. Que gosta das mesmas coisas que eu gosto em mim mesma. Que tem paciência comigo, mima e cuida de mim.
Há um ano e duas semanas e três dias eu tenho um namorado envergonhado, que gosta de cozinhar e de flores. Que me acorda quando não consegue dormir e faz cócegas no meu joelho e eu finjo que ligo quando, na verdade, eu não me importo. Porque ele assiste Frasier e The New Adventures Of Old Christine comigo sem reclamar e me vê toda quarta-feira.
Agora, me diz, tenho culpa de ser apaixonada assim?
por Mia. às 19:48
Mia
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